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21 Nov Abercrombie e o novo “uniforme”

Na Folha de S.Paulo de 17.11 no caderno Cotidiano, página C11 li uma chamada pouco usual:  Sem propaganda, grife americana vira “uniforme” para adolescentes.

Junto a matéria vinha uma análise de uma psicóloga, o que me fez parar para ler com bastante calma a matéria de meia página.

Duas coisas me chamaram bastante a atenção: A primeira delas é a constatação do que o povo de branding já sabe faz tempo: SIM existe vida alem da propaganda, uma marca forte e consistente sobrevive e se fortalece, muitas vezes, independente da propaganda tradicional. Curioso foi saber que a marca virara “uniforme” entre adolescentes  de escolas “moderninhas” de São Paulo. A marca em questão é a Abercrombie & Fitch, marca casual americana famosa pelos seus imensos outdoors de jovens musculosos e pelos atendentes, nas suas lojas próprias, igualmente musculosos e sem camisa.  A marca sempre adotou uma política de “experiência de compra” ao invés da publicidade tradicional, pelo visto deu muito certo.

A segunda questão que deparei foi na análise da psicóloga consultada que diz;

“ A moda pode ser uma forma de expressão positiva,um jeito de nos diferenciar. Mas, com o boom das marcas, o que tem acontecido é uma massificação de gostos que acaba muitas vezes sufocando as sutilezas das subjetividades. O jovem adota uma marca que o iguala ao grupo. Por fim acaba por anular a sua própria identidade. Fica a reflexão: até quando vamos deixar o poder das marcas invadir, disfarçadamente, o cotidiano dos jovens para ditar regras de socialização sem pensar no impacto individual e social que isso gera?”

Antes de mais nada é preciso entender o que é marca. Grife não é necessariamente uma marca. Marcas são culturas baseadas nas relações entre empresas e consumidores. A moda, assim como as marcas de moda, são, de fato, ao mesmo tempo uma forma de nos diferenciarmos e de nos incluirmos. Conceitualmente o próprio fato de nos incluirmos em determinados grupos já nos diferencia de outros indivíduos e de outros grupos, e pior, sempre foi assim. Acho que foi Coco Chanel que proferiu que “ só os tolos não julgam pela aparência” infelizmente ela estava certa. Usamos nossos “bens” para nos diferenciarmos da multidão. Esses meios de diferenciação mudam ao longo da vida, da camiseta do adolescente ao carro do gerente e ao modelo de helicóptero do banqueiro. Somos cercados por ícones que nos representam, TODOS nós, sem exceção, aí vou complicar um pouco mais, nossas escolhas compõe nossas marcas pessoais, o que ouvimos, o que vemos, onde vamos, o que comemos e por que não o que vestimos.

As relações entre marcas e pessoas são pensadas como forma de identificação, você se relaciona ( e não consome) aquilo que lhe valida enquanto indivíduo pertencente a determinado grupo, ou a nenhum ( o que já o inclui em um determinado grupo).

A escolha do grupo é que valida nossa identidade e exterioriza nossos anseios e pensamentos. As marcas são e só devem ser um elemento de ligação entre pares.

As cheerleaders continuarão cheerleadres, os nerds continuarão nerds, patricinhas continuarão patricinhas, largados continuarão largados e, felizmente, encontrarão seus pares, com ou sem o boom das marcas.

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