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29 Jan Até tu Coca-Cola ?

No incrível e fantástico “mundo das marcas” o mais interessante é que até as intocáveis, mais dia ou menos dia, terão que deitar no divã para fazer aquela, digamos, terapia básica.

Não há dúvida que as “gigantonas consolidadas marcas” muitas vezes sucumbem ao desejo de sentar naquela confortável poltrona, lá no topo da pirâmide, e só colher os louros do sucesso alcançado ao longo do caminho que percorreu. Mas não é preciso nem queimar muito a pestana, nem ser da área de branding ou marketing para para entender que comportamentos assim podem ser fatais.

A gestão de uma marca, além de diversos pontos, passa também pela difícil tarefa de driblar obstáculos muitas vezes invisíveis, como por exemplo: o do confortável excesso de auto-confiança.
Quantas vezes vimos marcas, que pareciam inquebráveis, irem perdendo a força até desaparecerem por terem sido mordidas pelo bichinho da acomodação ? Podemos aqui relembrar alguns exemplos marcantes como Kodak , Olivetti entre outros tantos.

Mas voltemos ao título do post, a gigante Coca-Cola, que não é a toa uma das marcas mais valiosas do mundo, mudou mais uma vez seu slogan apostando agora no discurso global do afeto e da nostalgia.

A ação vai envolver todos os produtos da marca, coca zero, life e ligth no mesmo discurso com uma ferramenta poderosa: a emoção, em uma tentativa de acelerar as vendas e garfar todas as faixas etárias e até mesmo fisgar as audiências dos países assolados pela crise econômica, caso do Brasil.

Desde 2009 o lema publicitário da Coca era “Open Happiness” ou “Abra a felicidade”, agora será “Taste the Feeling” ou “Sinta o Sabor”. Com isso a Coca pretende voltar ao mesmo patamar de vendas de anos anteriores, no Brasil a produção de refrigerantes recuou 4% no ano passado. Mas não estamos aqui para falar de números e vendas, a pergunta é: será que esse recuo é só por causa da crise econômica? As pessoas deixaram de tomar refrigerante por quê não tem dinheiro? Ou seria uma mudança no comportamento das audiências?

Veja o que está acontecendo na Inglaterra onde os produtos com alto teor de açúcar vão passar a custar 20% mais caro. Uma lei, ainda não aprovada, quer aumentar os impostos sobre os refrigerantes, sucos industrializados e chocolates na tentativa de conter um problema que se acumula na rede pública de saúde do país, os males causados pela dieta altamente calórica da população.

A Obesidade já lidera a lista dos maiores problemas de saúde entre os ingleses, ultrapassando o cigarro, que em outros anos era uma das principais causas de morte no país.

Taxar o que faz mal e alavancar o que faz bem é uma estratégia inteligente de reverter esse problema. Com a nova lei o pais deve arrecadar 100 milhões de libras por ano, dinheiro que será revertido para a rede de saúde.

Mas voltemos ao assunto Coca-Cola. Não será hora da gigante se deitar no divã e se perguntar: num mundo onde pessoas buscam qualidade de vida e saúde e meu produto claramente não faz bem à saúde como devo me posicionar? Não é só uma questão de entender o que quero comunicar para minhas audiências, é uma questão de posicionamento, uma reflexão bem mais profunda que vai muito além da simples mudança de um slogan visando alavancagem de vendas. Afinal, num mundo de audiências exigentes sentir o doce sabor da coca pode ter um retro-gosto um tanto quanto amargo.

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