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03 Ago Design Social, é realmente social ou é apenas mais um rótulo? Por Matheus Pinto

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Esse é um tema que, ainda hoje, não é muito abordado nas grandes rodas de discussões sobre design, tanto no Brasil quanto no Mundo. O tema é muito mais complexo, abrangente e polêmico do que se pode imaginar.

Você sabe o que realmente é “Design Social”? O termo foi popularizado no Brasil como “Design de Caráter Social” em 2004, com o lançamento de um concurso que carregava o mesmo nome. O enfoque do tal concurso, voltado apenas para universitários, era popularizar o concurso no mercado interno e fazê-lo chegar aos segmentos mais carentes da sociedade. Mas o que seria popularizado no mercado interno voltado para o terceiro setor? A princípio, pensou-se e em veículos para coleta de materiais recicláveis e mobiliário urbano para municípios históricos, e aí as ideias foram evoluindo e abrangendo mais e mais segmentos de “produtos” que, de uma forma ou de outra, beneficiariam a sociedade. O principal intuito do concurso era fazer com que os futuros profissionais refletissem sobre o papel social do design na busca de melhorias para a qualidade de vida das pessoas.

O design em si abrange âmbitos além do social, e está fortemente ligado ao setor econômico. O quesito social pode se tornar um tanto quanto controverso quando é levado em consideração que a força motora do reconhecimento do design é o fator econômico, mas esse impasse pode ser “neutralizado” quando confrontada a definição da palavra design, que, segundo o dicionário Michaelis, é “1. Concepção de um projeto ou modelo; planejamento. 2. O produto deste planejamento”. Ou seja, segundo o dicionário, design é um produto resultante do planejamento, e esse é responsável pelo destino final do objeto design. Será que é somente isso? Design é muito mais do que um simples produto planejado, ele é um processo, e é esse processo aliado ao planejamento que, efetivamente, definirá o cunho social do design.

Tendo ciência de que design é processo, seu ‘cunho social’ agora se torna um pouco mais complexo do que simplesmente idealizar/planejar um projeto socialmente responsável, que se preocupa única e exclusivamente com o seu resultado final. Ou seja, tal projeto não deve se preocupar apenas com o seu resultado, mas também deve se preocupar com o processo que definirá esse resultado. Portanto se este não for socialmente justo ou ecologicamente correto, o projeto não pode ser efetivamente considerado de caráter social ?.

Responsabilidade Social está intimamente ligada à Sustentabilidade e à Ecologia. Durante muito tempo classificou-se sustentabilidade como algo ligado a ecologia e responsabilidade social como algo ligado as pessoas. Muitos autores usam, atualmente, o termo responsabilidade social com uma forma mais ampla e contemporânea de definir todo o espectro que envolve a discussão: ecológico e social.

O design social, ou “socialmente responsável”, enquanto produto físico, só pode ser assim considerado se o seu processo de confecção é ecológico e socialmente responsável. Exemplificando, se uma ONG oferece uma sacola ecológica como produto para manter seus projetos, e recebe uma demanda duas vezes superior à sua capacidade de produção, e a aceita sem aumentar o número de colaboradores, esse processo de confecção dos produtos se torna exaustivo e muitas vezes excede a jornada de trabalho. Ou seja, o processo do design enquanto produto deixou de ser socialmente responsável, mas o conceito (planejamento inicial) da ONG ainda é de caráter social, pois o dinheiro das vendas será revertido em benefícios para a comunidade. E aí vai a pergunta, esse exemplo pode ser considerado como Design de Caráter Social?

Poderíamos citar inúmeros outros exemplos, como um grupo de pessoas que compra brinquedos no comércio popular, provavelmente todas importados da China, e distribuem em comunidades carentes sob a alcunha social. O brinquedo em questão não teve nenhum tipo de responsabilidade social ou ecológica no seu processo de confecção. Na nossa concepção, esses modelos não podem, e muito menos devem ser considerados como Design Social. No máximo, filantrópicos. Design Social é um produto pensado para a sociedade, com processo sustentável (tanto social quanto ecológico), aliado a benefícios econômicos.

Agora entramos novamente no quesito econômico da questão, se é que em algum momento saímos dele, e, segundo a arquiteta e designer gráfica Ruth Klotzel“o design floresce [no panorama econômico], algumas vezes como equivocada manifestação fashion, efêmera, mas cada vez mais também com um enfoque democrático.  Democrático no sentido de perceber as próprias necessidades locais, de seu povo, abrindo espaço para a auto determinação”. Ou seja, design social é democrático, pois além de identificar os problemas e as deficiências da sociedade, ele se preocupa em transformá-los sendo intimamente sustentável.

Mas, esse assunto não termina por aqui, pois ainda há muito que dizer sobre o tema, e também explicar que há empresas e entidades que desenvolvem design de caráter social, mas não sabem que o fazem e muito menos o vendem como tal. Há outras questões sobre como devemos categorizar essa vertente do design, se é realmente uma vertente, ou se deve ser categorizado. Mas, o que podemos resumir sobre o Design Social é que deve ser considerado no planejamento inicial, o respeito com o meio ambiente, oferecer soluções às exigências do consumidor e ser socialmente engajado e comercialmente justo. Acompanhe o próximo post e descubra um pouco mais sobre o caráter social do design.

 

Fonte:

DESENVOLVIMENTO, Ministério do. Concurso Design de Caráter Social <http://www.desenvolvimento.gov.br/sitio/interna/noticia.php?area=2&noticia=6224>. Acessado em 28 de julho de 2014.

DESENVOLVIMENTO, Ministério do. O Programa Brasileiro de Design. <http://www.mdic.gov.br/sitio/interna/interna.php?area=2&menu=4149>. Acessado em 28 de julho de 2014.

BRASIL, Design. PBD – Programa Brasileiro do Design <http://www.designbrasil.org.br/design-em-acao/pbd-programa-brasileiro-design>. Acessado em 28 de julho de 2014.

SOCIAL, Instituto de Design. Contextualização do Design Social <http://www.overbranddesign.com.br/antes/ids/designsocial.php>. Acessado em 28 de julho de 2014.

EDU, Academia. Experiências divertidas: visões sobre um design com caráter social <http://www.academia.edu/6974151/Experiencias_divertidas_visoes_sobre_um_design_com_carater_social>. Acessado em 28 de julho de 2014.

DESENVOLVIMENTO, Ministério do. Design social beneficia ofício de catador. <http://www.desenvolvimento.gov.br/sitio/interna/noticia.php?area=2&noticia=6382>. Acessado em 28 de julho de 2014.

INFINITO, Estúdio. Design no Brasil hoje <http://www.estudioinfinito.com.br/site/?page_id=64 >. Acessado em 28 de julho de 2014.

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