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12 Dez Irmãos Campana inatingíveis, infelizmente.

Nesse sábado em meio aos guardas-chuvas, turistas e décimo-terceiro, visitei a exposição dos Irmãos Campana no CCBB em SP.

Nessa altura do campeonato não preciso mais apresentar os Campana, muito menos lembrar da importância do trabalho da dupla na divulgação e no fortalecimento do Brasil como um polo produtor de “bom design”.

Minha grande questão envolve a forma de se expor design e a ela dedico essa breve reflexão.

Em uma era onde impomos características humanas à relações inanimadas, a tal interatividade parece ser um dos grandes valores e qualidades dessa segunda década do século XXI. Basta olhar para as redes sociais para que, mesmo os mais desavisados, percebam a relevância, real ou romanceada, verdadeira ou fictícia, dessa nova forma de relacionamento, ou seja, tentamos dar vida à máquina e cada vez mais nos relacionamos através da máquina, muitas vezes em detrimento das próprias conexões pessoais, por pura preguiça, superficialidade e, por que não, simples inabilidade de perceber o outro como outro e não como nossa própria extensão ou reflexo.

O design, por sua vez, nasce da necessidade humana e portanto é feito por pessoas e para pessoas, e logo, só existe porque existem pessoas.

Minha frustração foi enorme quando me deparei com alguns ícones do design “nacional” (não sei se cabe exatamente esse termo, uma vez que são produzidos no exterior por empresas estrangeiras) isolados como se fossem obras de arte.
As peças, separadas por “praticáveis” ( espécie de palcos) tornavam impossível a aproximação do “espectador” com o objeto.

Esse é o grande problema conceitual, o design não se admira, exclusivamente, se experimenta, e se o design existe para “melhorar a vida das pessoas” nada mais justo imaginar que não só poderíamos “experimentar” esse bom design, como também, ou principalmente, constatar tatilmente o que se é defendido visualmente: será que é confortável? será que funciona? ou será que é só escultura mesmo?

Esse mesmo mundo artificial dos relacionamentos propõe e produz uma enxurrada de imagens e informações. Inevitavelmente, a grande maioria de visitantes dessa exposição em algum momento, ou em vários, viu a imagem desses produtos.
Se já os vimos, qual a relevância de montar uma exposição para novamente os vermos?

Se a pretensão era esclarecer cronologicamente ou conceitualmente o trabalho da dupla, essa intenção também se perdeu em uma comunicação confusa, desconexa entre o produto e sua explicação.

Uma outra leitura também pode ser possível. Num país que, diferente de outros centros mundiais de design, produz objetos tão caros e inacessíveis, essa exposição, em sua forma essencial, confirma essa idéia, fazendo com que, da mesma forma que uma obra de arte, você, cidadão comum, possa ver, apreciar mas nunca se “relacionar” com o objeto em si, e mais do que isso, ter a certeza, ou na melhor hipótese a dúvida, de que aquilo não é para você.
Um trabalho originalmente inovador como de Fernando e Humberto Campana, merecia, no mínimo, uma forma minimamente original de ser exposto.

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