" />
  
x
06 Mar Lucro, orgulho e transformação


Recentemente, para minha surpresa, o publicitário Nizan Guanaes tem se aproximado dos conceitos de branding e discutido com bastante propriedade o que já dizemos nesse mesmo espaço desde quando ele achava que branding não existia: marcas são ecosistemas complexos com vários protagonistas e agentes.

“Não adianta mais ter um roteiro pronto, por melhor que sejam as falas. É preciso estar pronto para o diálogo, a exposição e o escrutínio permanentes de um público que cada vez mais tem mais informação sobre você, seus fornecedores, seus concorrentes, seus preços, suas práticas comerciais, suas relações com a comunidade.”

Resumindo, não dá pra enganar todos por muito tempo como tentou fazer o marketing e a publicidade!

Cada vez mais se fala, e já não é de hoje, do consumo consciente. Sustentabilidade já não é mais diferencial competitivo, é algo esperado, cobrado…padrão.

A identificação entre consumidores e marcas, essência do branding, se dá em diferentes esferas. Ela pode começar como uma relação estética, passar por aspectos sociológicos, antropológicos e chegar ao nível ideológico. Compramos motivados pelos valores que a marca representa e como esses valores, podem, em última instância, ratificar os nossos próprios valores enquanto indivíduos pertencentes ao emaranhado social de nossas respectivas tribos.

Mais do que alinhamento entre o que se faz, o que se fala e o que se é, as marcas começam a perceber que o “como”, o processo produtivo, tem impacto relevante na sua identidade. Recentemente, em uma dinâmica de construção colaborativa de marca em um dos grupos produtivos atendidos pela agência discutimos sobre as famosas ecobags, símbolo de um movimento pró sustentabilidade e rapidamente usada e difundida como ícone do engajamento ambiental por todos os tipos de marcas. Comentava que em uma grande cadeia de livrarias, enquanto esperava na fila, vi penduradas naqueles locais destinados a compra por impulso ( o que já é meio questionável conceitualmente, mas totalmente justificado sobre o ponto de vista do V.M )umas enormes sacolas vendidas a um preço absurdamente baixo. Instantaneamente pensei “ Made in China”, tinha razão.

A complexidade das relações entre marcas e consumidores obrigará ( já obriga na verdade) a pensarmos sobre um prisma multi-focal. Não basta só oferecer um produto, esse produto TEM QUE FAZER SENTIDO.

Esse exemplo mostra como uma iniciativa de engajamento ideológico pode ter um efeito completamente inverso (ou pior ainda, nem ser um engajamento ideológico, o que é muito mais grave). Do que adianta um produto ser ecológico e ser produzido em regime semi-escravo em qualquer país que seja?

As relações de trabalho mais justas também são um novo gargalo e certamente um novo horizonte para as marcas. Os benefícios sociais junto aos benefícios ambientais e a produtos e serviços alinhados serão grandes ativos estratégicos em um futuro muito próximo.

Como disse o sr. Nizan na coluna citada “ é preciso fazer 2 perguntas: Isso dará dinheiro? Isso dará orgulho?

Como profissional e ideólogo incorrigível, acrescentaria mais 2 perguntas ao questionário: Isso fará sentido? Isso transformará a realidade?

Sem comentários

Deixe seu comentário

Volte para a Home ou saiba mais sobre o serviços de  personalidade da marca e experiência de marca da agência.