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22 Jun Mc donalds, Michael Douglas e a fotografia como verdade.

 

 

Essa semana um assunto bastante falado foi o vídeo que acompanhava uma sessão de fotos do gigante fast food Mc Donalds.

O tal vídeo começava com a diretora de Marketing da lanchonete ( que é pouco pra definir o que é o MD) respondendo a uma pergunta de um cliente em uma rede social sobre a diferença entre o que se vê e o que se come na lanchonete.

O vídeo mostra que o lanche, no caso o quarteirão com queijo, é feito para a foto com os mesmos ingredientes que é servido na rede, o que muda é o tempo e cuidado “estético” no preparo.

Vamos aprofundar um pouco essa discussão.

Desde sua invenção em 1826 por Niépce ( primeira imagem permanente conhecida) a fotografia vem sendo considerada e discutida como uma “prova” do real. Roland Barthes dizia que a fotografia é : “o que foi”, ou seja, um instante do passado e um número  enorme de teóricos discutem filosoficamente a fotografia há séculos. A verdade é que a fotografia SEMPRE foi manipulada.

O próprio fato de se tratar de uma pessoa que aperta o botão já é uma interferência clara, a própria existência na cena do aparato fotográfico já muda o arranjo e a dinâmica entre os objetos fotografados ( os antropólogos e a etnografia visual sabem bem o que estou falando).

Muito antes de existir o famigerado Photoshop as imagens já eram manipuladas. A grande diferença é que dava um trabalho danado…e não falo só de processos químicos, a própria forma como se coloca a luz sobre um objeto qualquer ( animado ou inanimado) já define intenção, interferência e o jogo de  esconde /mostra que se propõe. Recursos nunca faltaram para isso: luz, posição, profundidade de campo, processos químicos e um dos mais importantes a “a  abordagem seletiva do olhar” por que eu escolhi esse enquadramento e não um metro para a esquerda? por que do alto e não da altura do observador? por que escolhi escurecer o contra-plano?

Achar que a fotografia é uma representação do  fiel do real é tão inocente quanto achar que isso é culpa exclusiva de softwares de tratamento de imagem e seu plano maligno de “plastificar” o mundo. 

Voltando ao caso específico do Mc Donalds, fiquei com a impressão de se tratar de “desonestidade intelectual” quando explicam que é tudo uma “questão de preparo” e uma saída simples pra ficar “antenado” com o  que se diz nas redes sociais. Seria muito mais complexo explicar que NUNCA comemos o que vemos, assim como não existem capas de revista sem celulite, anúncios de produtos de beleza com mulheres de 40 anos com pele de 8 e pães com superfície absolutamente lisa…

Certamente Michael Douglas em “Um dia de fúria” continuaria disparando sua Uzi mesmo depois desse vídeo supostamente bem intencionado. 

 

Link para o vídeo

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