x
15 Abr Qual o valor de uma idéia?

Como relacionar valor a uma idéia? Esse desafio é enfrentado diariamente em diversos setores do mercado. A chamada “economia criativa”, que segundo o autor inglês John Howkins no livro “The Creative Economy”, são atividades na quais resultam em indivíduos exercitando a sua imaginação e explorando seu valor econômico, e pode ser definida como processos que envolvam criação, produção e distribuição de produtos e serviços, usando o conhecimento, a criatividade e o capital intelectual como principais recursos produtivos, ainda não achou uma solução certeira para comparar o valor de algo palpável a algo abstrato, intangível. Ainda é muito mais fácil perceber valor em algo que é físico, algo que eu possa guardar, na segurança de um cofre ou na confiabilidade de uma instituição financeira e eventualmente negociar, com valores de mercado minimamente controlados, em uma situação de necessidade.

Uma idéia, por sua vez, é algo que embora tenha um enorme poder transformador, ainda assim é volátil, de difícil verificação e comprovação instantânea de seu valor.

Afinal, o que faz uma idéia ser boa ou ruim? valiosa ou irrelevante?

Muitas podem ser as respostas, entre elas, a capacidade transformadora e seu poder inovador ou simplesmente o fato dela ser coerente ou correta frente ao problema proposto.

Se uma idéia é algo tão simples porque, então, pode ser tão cara ?, afinal não existem custos de matéria prima envolvidos. 

Se pensarmos no ser “criativo” como um indivíduo dotado de um talento “divino” que em um momento de iluminação, numa fração de segundos foi tocado pela “loucura criativa”, realmente podemos ponderar sobre o seu custo. Claro que, na vida real, longe do cinema e das novelas, a criatividade é sinônimo de processo, de reflexão contínua e prolongada, quando não de anos de estudo e aprimoramento profissional. 

Nesse caso uma idéia, não é só uma idéia, mas sim um conjunto de ações e desdobramentos, experiências vivida, horas de leitura, de praxis, que levaram a aquele momento, naquela sacada durante aquela reunião massante onde não se chegava a lugar algum.

Mais do que uma idéia, o branding, para usar um exemplo de produto intelectual, é um “conjunto de idéias” necessariamente transformadoras. Nós, agências e profissionais de branding, sofremos duplamente. Primeiro pela dificuldade de compreensão do mercado sobre o patrimônio intelectual e em segundo lugar pela dificuldade de compreensão de que diabos nós realmente fazemos. Nesse segundo caso, isso se deve, em grande parte ao próprio mercado de comunicação, que adota os termos da moda para se promover, vendendo, muitas vezes, algo de que não tem idéia ( ou que tem uma idéia errada) do que é de fato. Isso causa um nó ainda maior na cabeça do consumidor, afinal, se “todo mundo” faz porque essa diferença desregrada de preços?

Poderia enumerar as bobagens que já ouvi sobre branding, design, design thinking de pessoas supostamente relevantes de campos de atuação diretamente ligados a gestão de marca e design.

Diante dessa reflexão eu quase entendo a opção por um serviço como os “leilões de logos” que já foram alvo de tantas críticas ( nossas inclusive). É infinitamente mais fácil vender um “desenho” do que uma idéia que resultará em um desenho, e que por isso precisa se submeter a um processo que pode, não necessariamente, ser rápido. O sucesso desse tipo de serviço, os marketplaces da vida, onde você escolhe, paga e leva, é um ótimo exemplo não só de como é difícil vender uma idéia mas de como o mercado ainda não aprendeu a distinguir as características distintivas entre os serviços oferecidos.

Toda vez que pensamos em identidade visual, por exemplo, imaginamos que o empreendedor que contratará esse serviço, o faz pensando na diferenciação. Como um produto, no caso dos marketplaces não se trata mais de um serviço. Algo que está disponível a qualquer um, independente das suas características próprias, pode ser diferenciador? Se sabemos que, nesse caso, o produto não cumpre seu objetivo, mesmo que tenhamos pago muito pouco por ele, foi barato ou foi caro?

Uma vez ouvi de um presidente de uma multinacional que barato ou caro é uma simples questão de retorno de investimento. Se investir, digamos, 1 milhão em uma identidade visual resultante de um processo de branding ( valor obviamente absurdo) e isso me resultar em 10 milhões de lucro, esse preço, mesmo que exorbitante, foi “barato”.

É claro que para chegarmos a essa conclusão precisamos de métricas e avaliação coerentes, coisas um tanto incomuns no mercado de comunicação.

O próprio design também sofre com a dificuldade do intangível. Associações e publicações tentam “coisificar” o processo. Por exemplo, do que importa quantas páginas tem um catálogo, por exemplo, na composição de preço do processo criativo? é mais caro pensar 20 páginas do que 10? será? talvez não, mas é muito mais fácil para o consumidor entender que, como esse trabalho é “maior” que o outro, logo deve ser mais caro ( nesse exemplo a diferença de preço implica também no processo de fechamento das páginas, aí sim, quanto mais páginas, mais caro)

Podemos ver esse fenômeno até na indústria automobilística. Porque será que a tecnologia inovadora embarcada sempre está nos carros maiores e top de linha? Será que se uma inovação tecnológica gigantesca aparecesse no Fiat 500 e por isso mesmo ele fosse mais caro que um sedã de luxo isso seria percebido? Muito provavelmente não.

Vivemos um momento delicado de crise econômica mundial. Nesse cenário ora se acha que a “boa idéia” tem um valor absurdo, ora se acha que é irrelevante.

É importante explicarmos que qualquer projeto sempre será cobrado proporcionalmente a sua complexidade ao mesmo tempo que atualmente, qualquer agência séria tem seu programa de startup, quando não até de branding social voltado para grupos produtivos e empresas sociais, como é o nosso caso.

Tão importante quanto esclarecer a necessidade de um processo para se chegar a um fim é importante ressaltar que os processos criativos, e aí coloco tudo no mesmo balaio: branding e design não são necessariamente caros. 

Mas obviamente você sempre poderá comprar “uma logo” na internet por R$ 49,90.

Sem comentários

Deixe seu comentário

Volte para a Home ou saiba mais sobre o serviços de  personalidade da marca e experiência de marca da agência.